CEMJ Promove Seminário Internacional “Políticas de Esporte para a Juventude” |
Com o apoio do Ministério do Esporte e da Universidade Anhembi Morumbi, o Centro de Estudos e Memória da Juventude (CEMJ), em parceria com o Instituto Pensarte, promoveu, nos últimos dias 2 e 3 de junho, o Seminário Internacional “Políticas de Esporte para a Juventude”. O evento ocorreu no auditório da Universidade Anhembi Morumbi, na cidade de São Paulo. Reunindo atores do Estado e da sociedade civil, o seminário buscou contribuir para a formulação de uma política de esporte para a juventude brasileira, com foco na participação e universalização da prática e do conhecimento desportivo.
Estiveram presentes ao seminário gestores das áreas de juventude e esporte, membros de federações esportivas e atléticas acadêmicas, pesquisadores, intelectuais, esportistas, dirigentes de ONG’s e demais pessoas e instituições interessadas na temática da relação entre juventude e esporte. As intervenções proferidas no evento serão posteriormente publicadas em livro, permitindo a divulgação mais ampla das reflexões expostas.
O evento, de caráter internacional, incluiu exposições de intelectuais e gestores do esporte de países como Cuba (Ileana Alfonso Valdés, diretora de relações internacionais do Instituto Nacional de Esportes, Educação Física e Recreação), Inglaterra (Roger Davis, membro fundador da Agência de Esporte para a Juventude e ex-membro do Conselho Nacional de Esporte do Reino Unido) e México (Manuel Aceves, professor da Universidade Vale Del México), que apresentaram experiências bem-sucedidas em seus respectivos países.
Além das experiências internacionais, o seminário – que contou com uma conferência de abertura proferida pelo Ministro do Esporte, Orlando Silva Jr. – debateu também com centralidade os eixos das políticas públicas de esporte para a juventude; a interação esporte / escola / universidade, e as políticas públicas de juventude e esporte como meio para o fortalecimento do Brasil no cenário esportivo mundial. As mesas sobre esses temas reuniram nomes como Wadson Ribeiro (Secretário Executivo do Ministério do Esporte), Danilo Moreira (Presidente do Conselho Nacional de Juventude), Djan Madruga (Secretário Nacional de Alto Rendimento / Ministério do Esporte), Luciano Cabral (Presidente da Confederação Brasileira do Desporto Universitário) e Katia Rubio (Professora da Faculdade de Educação Física e Esportes da USP), dentre outros.
Ao final o público do seminário distribuiu-se em Grupos Temáticos (GTs) que debateram temas específicos relacionados ao esporte, tais como: juventude, esporte e trabalho; núcleos do Programa Segundo Tempo; juventude e esportes de identidade cultural; juventude, esporte e gênero; esporte urbano e juventude; esportes não-olímpicos; juventude e esporte militar; juventude e futebol, e saúde e esporte juvenil.
Muitos dos GTs abrigaram discussões polêmicas e acaloradas, que poderiam ter se estendido bem mais não fossem os limites impostos pelo tempo. Foi esse o caso do Grupo Temático sobre os núcleos do Programa Segundo Tempo, que contou com a participação das entidades estudantis. UNE e UBES já vinham debatendo o Programa com o Ministério do Esporte anteriormente ao Seminário. "Para nós é fundamental que o Segundo Tempo nas escolas secundaristas se torne uma política de Estado, pois acreditamos na força transformadora da prática esportiva. Esse seminário acontece em meio a um processo muito rico de discussão da UBES com setores que pensam e executam o esporte em nosso país", afirmou a diretora de esportes da UBES, Thiara Milhomen.
Sobre a proposta, acalentada no seminário, de um “Programa Segundo Tempo Universitário”, Alcides Leitão “Jesus”, diretor da UNE, afirma tratar-se “de uma idéia que aposta na democratização e massificação do esporte universitário através de práticas participativas. Por isso apoiamos a idéia de expansão do Segundo Tempo para as universidades”.
Idealizado pelo Ministério do Esporte, o Programa Segundo Tempo destina-se à democratização do acesso à prática esportiva por meio de atividades esportivas e de lazer realizadas no contra-turno escolar. Tem a finalidade de colaborar para a inclusão social, o bem-estar físico, a promoção da saúde, o desenvolvimento intelectual e humano e a promoção da cidadania. O programa caracteriza-se pelo acesso a diversas atividades e modalidades esportivas que são desenvolvidas em espaços físicos da escola ou comunitários, tendo como enfoque principal o esporte educacional.
Contribuição do CEMJ
Segundo o presidente do CEMJ, Fábio Palácio, “embora seja de flagrante importância para o pleno alcance dos objetivos nacionais na área do esporte, podemos afirmar, porém, que ainda hoje o país tem muito a avançar no que diz respeito à implementação de uma autêntica política de esporte para a juventude brasileira. Na prática, as diversas ações do Ministério do Esporte destinadas à juventude ainda não configuram uma política articulada, com objetivos, metas, papéis e funções definidas para cada uma dessas ações”.
Palácio afirma ainda que “apesar disso, na atualidade podemos constatar que há um vasto campo de possibilidades de criação e/ou aperfeiçoamento das políticas de juventude e esporte, principalmente se as lideranças esportivas e autoridades de governo souberem aproveitar o rico manancial de reflexões que vem brotando do amplo e crescente debate nacional sobre a temática das políticas públicas voltadas à juventude brasileira”.
Em decorrência dessa situação, Palácio termina afirmando que é necessário traçar pontes entre a política nacional de esporte e as políticas públicas de juventude que se encontram em implementação. Com esse objetivo em mente, e buscando contribuir para o desenvolvimento das políticas de juventude em sua dimensão esportiva, a diretoria do Centro de Estudos e Memória da Juventude – entidade de pesquisas e consultoria com trabalhos reconhecidos nas áreas de esportes e juventude, e que atualmente participa do Conselho Nacional de Juventude como entidade de apoio relacionada ao tema “esporte” – apresentou ao final do seminário um texto escrito como contribuição para a elaboração de um Plano Nacional de Esportes para a Juventude. A proposta de Plano contém premissas das políticas de esporte para a juventude discutidas no seminário, e sugestões de iniciativas para o período 2009-2011.
Veja no box abaixo o texto completo do documento apresentado pela diretoria do CEMJ:
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Contribuição do Centro de Estudos e Memória da Juventude para a elaboração de um Plano de Esportes para a Juventude 2009-2011 No intuito de contribuir com o Seminário Internacional “Políticas de Esporte para a Juventude”, o Centro de Estudos e Memória da Juventude apresenta um conjunto de considerações sobre essa temática tão importante para os jovens brasileiros. Premissas do Plano de Esporte para a Juventude: Democratização do acesso dos jovens ao esporte Atualmente, o esporte brasileiro tem seu desenvolvimento dificultado em grande medida pelo enorme número de brasileiros excluídos da prática esportiva, uma forma privilegiada de promoção da cidadania e do desenvolvimento humano. Em função disso, o primeiro dos objetivos enumerados pela Política Nacional do Esporte é a democratização e universalização do acesso ao esporte. Participação social dos jovens nas atividades esportivas e na gestão É preciso garantir a presença ativa da juventude não apenas no âmbito do usufruto dos bens e atividades esportivas, mas também, e principalmente, na gestão participativa. O segmento juvenil precisa estar presente no debate das estratégias de ação voltadas a valorização da prática esportiva como direito inalienável da juventude brasileira. Programas integrados e intersetoriais Assim como a temática juventude deve perpassar transversalmente e de maneira articulada todas as áreas de governo, também as ações do esporte devem estar presentes em todas as áreas e órgãos da gestão pública que lidam com a questão da juventude. A execução das políticas de esporte para a juventude deve ser de responsabilidade não apenas do Ministério do Esporte, mas também de diversos outros órgãos, com destaque para o Ministério da Educação – que precisa jogar papel destacado na implementação das políticas de esporte educacional – e para a Secretaria Nacional de Juventude da Presidência da República, que pode desenvolver projetos específicos em parceria com o Ministério do Esporte. Espaços, territorialidades e diversidade Toda caminhada começa com o primeiro passo. É nesse sentido que sugerimos abaixo algumas ações prioritárias para o período 2009-2011. 1. Segundo Tempo Jovem O Programa Segundo Tempo atesta vivamente como o esporte na escola educacional é um poderoso fator do desenvolvimento nacional, de vez que, ao agir sobre a formação física e intelectual dos cidadãos e sobre a melhoria da qualidade de vida do conjunto da sociedade, gera resultados concretos em termos de desenvolvimento humano e fortalecimento da identidade cultural, da cidadania e da autodeterminação do povo. 2. Novo formato dos Jogos Estudantis (JEB´s e JUB´s) Atualmente há um vasto campo de possibilidades de aperfeiçoamento dos jogos estudantis, a começar pelo reforço do caráter de participação desses eventos. Isso poderia ser feito pela transformação do perfil dos JUB’s e dos JEB’s – hoje na prática competições estudantis de alto rendimento, pouco preocupadas com objetivos de ampliação da participação. 3. Projetos específicos de esporte destinados à juventude Projetos específicos envolvendo a realização de eventos em modalidades como capoeira, aeróbica, skate e esportes radicais e de aventura, dentre outros. Aqui seria importante envolver entidades relacionadas a essas modalidades, como a Confederação Brasileira de Skate (CBSk), o movimento hip-hop, os departamentos de juventude dos sindicatos, as associações e federações do movimento comunitário etc. 4. Projeto de futebol escolar e universitário não-profissional O futebol está incorporado à identidade nacional. Os campos de várzeas, as escolinhas e a prática nos clubes, escolas e universidades fazem do futebol a modalidade esportiva mais praticada no país. No entanto, não há um evento organizado que agrupe essa modalidade esportiva a partir das escolas e universidades. 5. Construção / melhoramento de infraestrutura esportiva Em vários locais não há espaços acessíveis para a juventude praticar esporte. As escolas estão fechadas no fim de semana ou ocupadas durante a semana pelas aulas regulares; as praças não tem organicidade para as atividades esportivas, e os locais públicos geralmente estão concentrados em alguns territórios das cidades onde o acesso sofre restrições de diversas ordens. 6. Formação da juventude, emprego e renda na área do esporte O esporte, que movimenta aproximadamente 2% do PIB nacional, também pode ser compreendido como um espaço de geração de emprego e renda. Abrangendo desde a produção de materiais e equipamentos, a formação e ocupação de treinadores, árbitros, empresas de eventos e gente da comunidade na realização das múltiplas iniciativas geradas por um movimento esportivo. 7. Juventude e Sistema Nacional de Esporte e Lazer |
Fabiana Costa é Assistente social, doutoranda em Educação (PUC-SP) e diretora executiva do CEMJ. Coordenou a realização do seminário “Políticas de Esporte para a Juventude”